CYCLING BÁLTICO 2016

07-07-2016 22:00

De entre as imensas viagens que realizei, esta de bicicleta em finais de maio e inico de junho de 2016 entre Helsínquia e Varsóvia, foi sem duvida uma das minhas melhores experiências.


 LISBOA / HELSÍNQUIA

A viagem de Lisboa para Helsínquia, começou com o despacho da bicicleta no avião, que no caso de acompanhamento do passageiro tem apenas um custo adicional ao bilhete de 50,00€.

Na chegada a Helsínquia, cerca das 3h00 da manhã já estava dia e o tempo apesar de estarmos em finais de maio, estava agradável.

Após uma visita à cidade até  meio da tarde, optei por ir descansar, uma vez que a viagem tinha sido feita durante a noite. Helsínquia é uma cidade cara. O hostel ranhoso, já na periferia da cidade numa pequena moradia com um estilo hippie, custou 30,00€.

O dia seguinte, foi para continuar a visita a Helsínquia - localizada junto ao mar tem bastantes locais para visitar, estando os monumentos mais emblemáticos situados junto à zona baixa da cidade e próximo dos barcos. Curiosamente neste fim de semana estava a acontecer um festival gastronómico na baixa, com comidas de todo o mundo.

No final da tarde foi hora de apanhar o ferry para Talim. Existem várias opções e com vários preços, eu optei por um ferry mais pequeno e mais rápido que custou 50,00€.

www.youtube.com/watch?v=vHdfSGvBViU

 TALLINN / PARNU

A cidade velha de Tallinn é um local muito interessante para visitar, pelo que resolvi ficar duas noites. A praça central sempre cheia de animação e com os preços nas esplanadas bastantes simpáticos, um café só custa 2 euros (mais o menos o mesmo que o empregado ganha numa hora de trabalho).

É uma cidade tranquila e apesar dos preços serem acima da média dos praticados no país, consegui um hostel por apenas 10,00€.

A saída de Tallinn foi feita nos primeiros quilómetros de comboio, por forma a evitar o desconforto do trânsito citadino.

Os 90 quilómetros feitos na bicicleta até Parnu, foram bastante calmos - floresta, campos agrícolas, estradas
de terra e, de quando em vez uma ou outra casa.

Parnu é uma cidade localizada junto ao mar, uma especie de cidade balnear, calma e agradável, apesar de ser maio, estava já calor suficiente para encontrar a praia cheia.

O hostel, localizado no centro numa moradia, custou 10,00€. O dono, um tipo com cerca de 45 anos e rabo-de-cavalo, aproveitou para me contar a história do país e das ligações à Rússia.

www.youtube.com/watch?v=vHdfSGvBViU


PARNU / RIGA

A saída aconteceu com um dia soalheiro. Não tinha feito muitos planos quanto à dormida, por isso fui andando enquanto as pernas foram aguentando e acabei por pernoitar ao fim de 140 km numa localidade chamada Saulkrasti.  Uma pequena vila costeira a cerca de 50 km de Riga que atrai muitos turistas às suas praias. Pelo caminho encontrei três Italianos, que faziam
o percurso inverso, entre Riga e Talin. Trocamos algumas impressões e seguimos viajem em sentidos opostos. 

Apresar de ter ponderado acampar junto à praia, a praga de mosquito levou-se a tomar a opção de ficar num hotel o que me custou 35.00€.

Refeito dos quilómetros do dia anterior, iniciei a manhã com destino a Riga. Desta feita o dia estava fresco e com sinais de
chuva, mas o percurso pelo meio de Carnikava, com a passagem sobre o Rio Gauja, revelou-se fantástico, cheio de vegetação e praticamente sem automóveis.

À entrada de Riga procurei o hostel que tinha previamente identificado, contudo após uma longa busca, percebi que ficava no 5º andar de um prédio antigo. A solução foi procurar outro.

Acabei por ficar no centro de Riga Velha por indicação de um camarada dos pedais que transportam turistas, numa localização fantástica. O hostel custou 18,00€.

Riga é uma cidade fantástica, cheia de animação e muito fácil de visitar.

www.youtube.com/watch?v=RQF7wqq8t2I&t=11s



RIGA / KAUNAS

Por forma a evitar o trânsito da cidade, tal como em outras situações, a saída de Riga até Jelgava foi feita de comboio,
num percurso de cerca de 40 km. A parte mais interessante de viajarmos de bicicleta, é o facto de o fazermos a um ritmo mais calmo comparativamente a outros meios de transporte, o que nos permite um maior contacto com as gentes locais, como foi o caso neste percurso de comboio em que uma senhora depois de em perguntar de onde era e por onde estava a viajar me ofereceu uma caixa de morangos em nome da amiga que a acompanhava e que não falava inglês.

A partir daqui o percurso mais fora da costa Báltica, torna-se mais seco e com os dias a continuarem bastante quentes, as paragens para abastecimento de água tornaram-se mais frequentes.  Nesse dia tinha planeado pernoitar em Siauliai, já na Lituânia. Como ainda era ceda, antes de procurar o hostel que havia selecionado, comecei a procurar um local para jantar. Uma rua pedonal e bastante calma albergava alguns restaurantes com bom aspeto. Enquanto pedalava calmamente, ouvi um chamamento - José....... Joaquim.... António....

Resolvi perceber quem eram os Portugas que me chamavam aos gritos. Um grupo de sargentos da FAP que estava alocado à base aérea da NATO. Acabei por jantar com eles. Encontrado o hostel, propriedade de um cidadão que tinha estado emigrado em Portugal - Faro, fui bastante bem recebido e por apenas 15,00€ tive direito a um quarto só para mim.

Na manhã seguinte, foi hora de regressar à estrada e partir em direção a Kėdainiai, uma pequena cidade nas margens do rio Nevėžis. Apesar dos cerca de 100 km que tinha pela frente, o percurso continuava a revelar-se bastante suave, pelo que a chegada foi feita ao final da tarde sem grande dificuldade. O local que tinha previsto pernoitar, supostamente uma escola hostel, estava fechado, pelo que tive de recorrer a dois ciclistas locais que prontamente correram em meu auxílio e me encontraram um hotel. Achei 35.00€ um pouco caro, mas pelo menos a cidade é bastante pitoresca com uma arquitetura bastante interessante que data dos séculos XVII e XVIII.

Pela manhã e apenas com cerca de 60 km para fazer até Kaunas, o percurso depois do almoço em Babtai tornou-se bastante mais interessante, seguindo as margens do Rio Nevėžis, com muita vegetação e bastante mais fresco.  Antes da chegada a Kaunas, houve ainda tempo para uma pequena bebida refrescante nas margens do lago Vilijampolė. Kaunas é uma cidade de média dimensão, a segunda maior da Lituânia, a sua rua principal repleta de bares e restaurantes cheia de movimento, convida a um jantar ao final da tarde.